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O “Bairro Judeu” de Berlim

O “Bairro Judeu” de Berlim

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O “Bairro Judeu” de Berlim: as pistas do judeus em Berlim em um bairro inexistente.

Escrever sobre o “bairro judeu” de Berlim é um desafio, principalmente porque ele não existe de fato. Não é nem mesmo uma denominação corrente ou conhecida entre os berlinenses ou uma denominação que poderia ser “antigo bairro judeu”.

Porém, basta uma busca no google para encontrar diversas páginas que falam do “bairro judeu de Berlim” e suas atrações turísticas e é muito procurado durante nossos tours por Berlim em português.

Neste artigo falaremos do porquê do nome, a localização e um pouco da história do local. Além disso, falaremos sobre o que ver e o que fazer no “bairro judeu”.

PORQUE CHAMAR DE “BAIRRO JUDEU” UMA ÁREA QUE EM BERLIM NÃO É CHAMADA DESTA FORMA?

A verdade é que “bairro judeu” é muito mais uma obra da indústria de turismo do que um local oficialmente existente e reconhecido pelos moradores da cidade como tal, afinal seria pouco atrativo para turistas falar de denominações como subúrbio de Spandau, subúrbio de Oranienburgo, subúrbio de Rosenthal ou bairro dos celeiros (Scheunenviertel, este nome, sim, é mais comum em Berlim) – todas denominações historicamente conhecidas para a região chamada de “bairro judeu”.

O nome “bairro judeu” não é completamente equivocado visto que ali viveram de fato judeus e havia muitas instituições judaicas. Porém, o local nunca se configurou como um exclusivo “bairro judeu” como veremos a seguir.

MAS ONDE FICA O “BAIRRO JUDEU” EM NERLIM?

O assim chamado “bairro judeu” fica no bairro de Mitte (centro), delimitado pela Ilha dos Museus a sul, o bairro de Prenzlauer Berg ao norte, a Alexanderplatz a leste e a Friedrichstrasse a oeste.

SE ESTE NÃO É O “BAIRRO JUDEU”, ONDE VIVIAM OS JUDEUS DE BERLIM?

Esta é uma curiosidade legítima se levarmos em conta que Berlim foi a capital do Terceiro Reich e os judeus foram as maiores vítimas, em números, do regime nazista.

Querer saber portanto onde viviam os judeus em Berlim no século XX é muito compreensível, apesar de não haver uma resposta definida: os judeus em Berlim estavam espalhados por todos os bairros.

Estima-se que antes do período nazista havia cerca de 180.000 judeus em Berlim. E na região da qual estamos falando, no “bairro judeu”, os judeus eram cerca 15% da população  – uma média maior se comparada à média de 5% de população judia em outros bairros da cidade. Além disso, destes 15% de população judia, havia um número considerável de judeus ortodoxos na região, o que os tornava facilmente identificáveis.

Então, sim, proporcionalmente a população judaica era maior no chamado “bairro judeu”, motivo pelo qual se encontravam escolas, cemitério, hospital judaicos, sinagogas, além de muitos judeus ortodoxos. Mas o bairro não era exclusivamente nem majoritariamente judeu.

VOLTANDO NO TEMPO: AS ORIGENS DO “BAIRRO JUDEU”

Os bairros judeus na Europa tiveram origens nos guetos. Houve um destes guetos em Berlim, mas apenas por volta do fim do século XVI e em outra parte da cidade.

O local hoje chamado de “bairro judeu” ficava fora da muralha barroca de Berlim. A área começou a ser povoada devido ao crescimento demográfico da cidade, incrementado principalmente com com a chegada de pessoas vindas das áreas rurais. Estes migrantes se estabeleciam na periferia da cidade, fora das suas muralhas de proteção, onde os preços dos terrenos eram mais baratos.

Outro grupo de migrantes da região eram de origem polonesa e russa – entre os quais havia muitos judeus – que se estabeleceram nos arredores da Alexanderplatz, vindos para tentar uma vida melhor dos arredores de Berlim.

O “BAIRRO JUDEU” DESDE A QUEDA DO MURO ATÉ HOJE

Atualmente a região chamada de “bairro judeu” em Berlim é repleta de lojas, restaurantes e atrai muitos turistas pela sua proximidade com o centro histórico e a Alexanderplatz.

Parte da antiga Berlim Oriental, os prédios do bairro se encontravam bastante deteriorados após a queda do muro, o que atraiu muitos jovens por ser uma região barata ou mesmo com muitos prédios que foram ocupados (hoje há pouquíssimas casas ocupadas que ainda resistem à especulação imobiliária).

De lá pra cá, o bairro foi sendo sistematicamente reformado e viveu um boom nos últimos quinze anos, atraindo pessoas do mundo todo, lojas exclusivas de grifes locais e caras, cafés e muitos restaurantes com culinária internacional espalhados por ruas estreitas e charmosas.

De fato são poucos os moradores que vivem na área há vinte anos ou mais: é tudo muito novo nesta parte do centro de Berlim.

O QUE VER E O QUE FAZER NO “BAIRRO JUDEU”

Para finalizar nosso artigo deixaremos uma lista de locais que merecem ser visitados nesta parte do centro da cidade, alguns com ligação direta com a história dos judeus em Berlim e outros não.  Confira!

A NOVA SINAGOGA DE BERLIM

Inaugurada em 1866 na Oranienburgerstrasse, era na época a maior sinagoga da Alemanha com capacidade para cerca de 3000 pessoas.

Este foi um período de tranquilidade para os judeus na Alemanha: por mais que o antissemitismo existisse na segunda metade do século XIX, esta não era uma questão primordial e tampouco exaustivamente debatida publicamente, bem diferente do que viria a ocorrer com a chegada dos nazistas ao poder em 1933.

A Nova Sinagoga é um símbolo da boa situação econômica e social dos judeus de Berlim no século XIX. Diferentemente de outras construções para a comunidade judia na época, que eram mais discretas e pouco chamavam a atenção em relação aos outros edifícios locais, a belíssima e opulente arquitetura da Nova Sinagoga sobressai na paisagem e pode ser vista de longe. Um marco arquitetônico e dos direitos civis e leis de inclusão para os judeus de Berlim no século XIX.

Atualmente o local abriga um museu sobre a história judaica, com exposições temporárias. O local de culto propriamente dito ainda existe mas é bem pequeno se comparado ao original, visto a população de judeus em Berlim hoje é muito reduzida – cerca de 10.000.

O MAIS ANTIGO CEMITÉRIO JUDEU DE BERLIM

Ao passar pelo local hoje na Große Hamburger Strasse, rua próxima à Nova Sinagoga, a visão é de uma área coberta de verde, como se fosse um grande jardim. Porém, vale a pena dar uma parada e ler sobre a emocionante história deste local, que abrigou o primeiro cemitário judaico de Berlim a partir de 1672.

Durante a Segunda Guerra, em 1943, funcionários da SS nazista destruíram o cemitério e os túmulos históricos que haviam no local. Pouquíssimas lápidas da época puderam chegar até os dias de hoje, mesmo com os trabalhos de reconstrução. Uma delas pode ser vista no local e pertence ao filósofo iluminista Moses Mendelssohn.

Em 1945, nas últimas e cruéis batalhas da Segunda Guerra em Berlim, o antigo cemitério judaico abrigou uma fossa comum de milhares de vítimas militares e civis.

O HACKESCHER MARKT E OS HACKESCHE HÖFE

A poucos minutos da Ilha dos Museus está o Hackescher Markt, conhecido hoje pela bela estação de trem homônima e a praça com lojas e restaurantes que leva este nome, na qual há um mercadinho às quintas e sábados.

O nome, traduzido como “mercado de Hacke”, foi dado em homenagem ao conde Hans Christoph Friedrich von Hacke, que concebeu este espaço por volta de 1750 – na época uma parte periférica da cidade.

No início do século XX a praça marcava a passagem da parte mais pobre do bairro (o já mencionado Scheunenviertel) para a parte mais rica na direção da Oranienburgerstrasse e da Nova Sinagoga.

Durante os famosos anos 20 em Berlim, a praça era um dos locais mais agitados da cidade devido à vizinha com a antiga Bolsa de Valores, a estação de trem e os bondes que até hoje cortam as ruas desta parte do centro.

Atravessando a praça, do outro da rua, estão os belos pátios internos chamados Hackesche Höfe (Höfe significa pátios). Abertos em 1906, este complexo de oito pátios interligados serviam simultaneamente como fábricas e residências.

O arquiteto Kurt Berndt pensou na multifuncionalidade do local e a decoração do primeiro pátio em estilo art-nouveau ficou por conta arquiteto e designer August Endell. Atualmente o local abriga diversas lojas e restaurantes, sendo ideal para uma pausa e um momento tranquilo no dia de passeio pelo centro da cidade.

Nas proximidades do Hackesche Höfe há ainda outros pátios que merecem ser vistos: o Heckmann Höfe e o Sophien Grips Höfe.

O PÁTIO HAUS SCHWARZENBERG

Logo ao lado do Hackesche Höfe encontra-se este pátio muito interessante e peculiar: um local aparentemente descuidado, alternativo e repleto de arte urbana. O pátio Haus Schwarzenberg remete à Berlim pós-queda do Muro, enquanto tudo ao seu redor mostra justamente as transformações ocorridas de lá pra cá.

Dentro deste pátio você encontrará o Museu Otto Weidt, que remete diretamente à história dos judeus em Berlim. Otto Weidt, que dá nome ao Museu, foi uma daquelas pessoas pouco conhecidas que ajudaram muitos judeus a escaparem da deportação.

Dono de uma fábrica de vassouras e escovas de limpeza destinadas ao exército, e portanto considerada fundamental, Weidt desenvolveu diversas estratégias para empregar e manter diversos judeus em Berlim.

O Museu é o local original da fábrica e nele é possível conhecer muito desta história de coragem e as dificuldades dos judeus de Berlim no periodo nazista.

No mais, vale a pena caminhar pelas ruas desta parte do centro da cidade que leva o nome de “bairro judeu” e descobrir suas esquinas e supresas.

Este lugar simbólico em Berlim é visitado com nosso TOUR BERLIM NAZISTA E O BAIRRO JUDEU.

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